A superfície dos dedos apresenta cristas papilares cuja configuração contém características que podem ser utilizadas em processos de comparação.
Quando um dedo contacta com determinada superfície, pode transferir materiais presentes na pele, produzindo um vestígio dermopapilar.
A qualidade desse vestígio depende de vários fatores. O tipo e as condições da superfície, a pressão exercida, o movimento durante o contacto, a presença de contaminantes e as condições ambientais podem influenciar significativamente a informação disponível para análise.
Por esse motivo, uma impressão encontrada numa cena pode apresentar-se completa, parcial, deformada, sobreposta a outros vestígios ou possuir informação insuficiente para sustentar uma conclusão.
A comparação lofoscópica não consiste simplesmente em observar duas imagens e decidir se “parecem iguais”.
São avaliadas as características observáveis das cristas papilares, a respetiva configuração e as relações espaciais existentes entre elas, considerando simultaneamente a qualidade e suficiência da informação disponível.
É precisamente por esta razão que a existência de algumas características semelhantes não deve ser confundida automaticamente com identificação.
A conclusão pericial depende da informação efetivamente presente no vestígio.
Esta é uma das questões mais interessantes para a interpretação forense.
A associação de um vestígio dermopapilar a determinada pessoa não permite, por si só, estabelecer o momento exato em que ocorreu o contacto.
Uma impressão encontrada num objeto pode resultar de contacto relacionado com o acontecimento investigado, mas também pode ter sido produzida anteriormente em circunstâncias completamente distintas.
Esta distinção é particularmente relevante na interpretação da evidência.
A pergunta “quem poderá ter produzido este vestígio?” é cientificamente diferente da pergunta “quando foi produzido?” ou “em que circunstâncias ocorreu o contacto?”.
Nenhum vestígio deve ser analisado isoladamente quando se pretende reconstruir um acontecimento.
A localização da impressão, as características do objeto, outros vestígios existentes, testemunhos, imagens, dados digitais e restantes elementos disponíveis podem contribuir para contextualizar o resultado.
A ciência forense procura precisamente integrar diferentes fontes de informação e testar se são compatíveis com as hipóteses em análise.
Uma impressão digital pode constituir evidência relevante.
Mas aquilo que permite concluir depende da qualidade do vestígio, da pergunta formulada e do contexto em que é interpretada.
Encontrar uma impressão é uma coisa. Determinar aquilo que ela demonstra é outra.
Parece evidente, certo?